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segunda-feira, 1 de março de 2010

De dentro pra fora

MarADentro - edição 02 - mar - 2010
por Liz


É preciso começar
Não é hora de ficar parado
É necessário rever quem se é
Não há tempo para fingimentos
É melhor fazer isso agora
Não deixar para depois de amanhã
É uma oportunidade única, a vida
Não desperdiçar é uma questão de coerência
É claro que requer coragem
Não é fácil enfrentar as mudanças necessárias
É, no entanto, indispensável para caminhar
Não em rodeios aleatórios, mas com verdadeiro alento.

Parábola da pérola preciosa

MarADentro - edição 01 - fev - 2010
por Pedro Paulo
“O Reino do Céu é também como um comerciante que anda procurando pérolas finas. Quando encontra uma pérola que é mesmo de grande valor, ele vai, vende tudo o que tem e compra a pérola.” (Mt 13:45-46, NVI)


 Como um comerciante ávido por encontrar a pérola mais preciosa, tal qual, Jesus compara o cristão, ou melhor, o cidadão do reino de Deus. É aquele que de alguma forma tem contato com o Evangelho, e não o despreza, mas antes identifica o seu valor.
Esse homem sábio compreende que a mensagem do Evangelho confronta a sua pecaminosidade, traz luz as trevas que o rodeia, e o justifica. Não ignora o seu estado, mas o perdoa. Restaura sua dignidade, como criatura redimida.
Em certo sentido, a descoberta do comerciante traz fim à sua busca, significado à sua existência. O mesmo pode-se relacionar ao homem convertido à Cristo, ele encontra paz de espírito e plenitude de vida, a sua existência volta a ter significado completo, pois agora ele vive reconciliado com Deus.
Os nossos dias modernos destacam a liberdade individual do ser humano, como mestre de seus atos e destino. Apresenta o homem como um ser autônomo de Deus, e por isso livre, no qual a existência precede a essência. Essa situação o leva ao desconforto consigo mesmo e o mundo, ao perceber o absurdo da vida desprovida de seu propósito. E o pior é quando o indivíduo a aceita e procura se contentar com este estado caótico, ignorando sua insatisfação. Alguns neste estado chegam a concluir que “o inferno são os outros (o próximo)”* ou “que Deus morreu”**, num desespero sem solução ao homem, confundido liberdade com auto-suficiência.
A pérola nos lembra do valor inestimável do reino de Deus e a necessidade de sacrificar tudo o que for preciso para entrar nele, a grandeza do seu valor excede tudo o resto que conhecemos.
Podemos concluir que a vida no reino de Deus nos leva a compreensão de que morremos para os padrões deste mundo, pois encontramos em Cristo uma nova realidade de vida, muito superior. Como disse o apóstolo Paulo: Fui crucificado com Cristo. Assim, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. A vida que agora vivo no corpo, vivo-a pela fé no filho de Deus, que me amou e se entregou por mim (Gálatas 2:20).


(esse estudo foi dado aos adolescentes do Pedro, na primeira reunião do ano de 2010, que aconteceu aqui na nossa casa)

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*Paul Satre (filósofo francês existencialista)
**Friederich Nietzsche (filósofo alemão existencialista/niilista)

Uma chegada e duas despedidas

MarADentro - edição 01 - fev - 2010
por Liz

(Despedida Dona Eneida)
“...agradeço também a Deus porque ele me dá uma vida razoavelmente feliz aqui na terra, mas mais do que isso, ele me dá a esperança de que um dia ele vai voltar e haverá justiça”
Essas foram as palavras que fecharam o discurso de agradecimento do Artur, graduado em matemática pela Universidade Federal de Viçosa, em seu culto de formatura.
No aguardo desse dia mencionado por ele tivemos duas despedidas do tipo que explica porque a nossa vida é “razoavelmente” feliz e não plenamente feliz aqui na terra. Foram as despedidas de Dona Eneida, e Dona Clarinda. Duas histórias, duas mulheres admiráveis, dois legados importantes para toda a nossa comunidade, dois cultos fúnebres cheios de gratidão e anseio por este glorioso dia. Dia de justiça; dia de ressurreição. O pregador foi enfático, “por misericórdia, não se esqueçam desse dia!”.
A despedida de Dona Eneida provocou em mim um senso de grandeza. Ela fora uma grande mulher. Uma mulher que me envergonha por sua graça. Já a despedida de Dona Clarinda trouxe a memória o estado de fragilidade em que nos encontramos, e um temor pela vida. O momento do enterro de ambas fora musical. Ao ver fechar o túmulo de Dona Clarinda, ouvia-se a voz de Iêda, sua única filha, cantando em solo “..quando o meu coração se abater, leva-me à rocha, que é mais alta que eu, que é mais alta que eu” e aos poucos outras vozes também se juntaram em coro. Dona Eneida foi descida ao solo ao som de diversos hinos cristãos, cantados à capela por um pequeno grupo ali presente, dentre eles um cântico um tanto intrigante “por tudo o que tens feito (...) te agradeço meu Senhor”. Essas músicas de alguma forma testemunharam a todos os presentes da esperança que é lembrar aquele dia. “Dia em que o Senhor vai voltar e haverá justiça”.
A nossa chegada à Viçosa tem sido um momento assim, razoavelmente feliz. Muitas alegrias nos cercam e estamos muito gratos. Já tivemos a primeira reunião dos adolescentes aqui em casa que foi uma baita inauguração, já recebemos nossa primeira visita paulistana (dispensa comentários), já tivemos o primeiro encontro de amigos das antigas... e a graça de Deus se mostra presente e novamente presente. Porém este tempo em que nos encontramos tem nos ensinado que haverá um dia plenamente feliz, e por este aguardamos, e esta espera certeira é a nossa esperança.