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quinta-feira, 1 de abril de 2010

A realidade do céu e do inferno

MarADentro - edição 02 - mar - 2010
por Pedro Paulo
“Ele (Deus) fez tudo apropriado ao seu tempo. Também pôs no coração do homem o anseio pela eternidade; mesmo assim ele não consegue compreender inteiramente o que Deus fez... Descobri também que debaixo do sol: No lugar da justiça havia impiedade, no lugar da retidão, ainda mais impiedade. Fiquei pensando: O justo e o ímpio, Deus julgará ambos, pois há um tempo para todo propósito, um tempo para tudo o que acontece.” (Eclesiastes 3:11,16-17)
O sofrimento e o mal são reais. Sentimos seu efeito em nosso dia a dia, somos cercados por estas duas desgraças que não dão trégua ao homem. Não existe um ser que esteja alheio ao sofrimento, por mais protegido que esteja. Da mesma forma o mal bate a nossa porta e como um intruso senta-se a nossa mesa, como alguém muito íntimo nos entretém e encurta os nossos dias sobre a terra.
O seu resultado nos choca diariamente. Com uma sensação de impotência e pouca sinceridade, atribuímos culpa a Deus pelos seus efeitos em nós. Dizemos que não entendemos e uma pergunta ressoa forte no coração de muitos: - O que Deus tem haver com o sofrimento? E com o mal?
Penso que a resposta a esta pergunta é essencial para orientar nossas vidas. Deus é o criador todo poderoso e ao mesmo tempo relacional. Ele é soberano e a Ele devemos devoção. Deus nos fez seres moralmente responsáveis, a sua imagem e semelhança, e colocou a eternidade em nossos corações. Ele se importa com o sofrimento e o mal, isto o ofende e não faz parte de sua criação original. Deus intervém, pois é pessoal e muito se interessa pela Sua criação. Ele há de julgar-nos pelos nossos atos e o estado ao qual a criação foi submetida. O juízo é inevitável, logo há céu e inferno.
Não podemos ignorar que todos pecaram (Rm 3:23), e que a condenação é certa e merecida (Jo 3:18), pois trocaram a verdade de Deus por mentira (Rm 1:18-32).
Não podemos esquecer que Deus não pretende destruir sua criação, mas restaurá-la. Para isso Deus proveu em Cristo Jesus propriciação pelos nossos pecados, o substituto, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 3:16).
O juízo será na volta de Jesus Cristo (Mt 16:27), Ele há de ressuscitar os mortos (Jo 5:29) e todos terão que comparecer perante o tribunal de Deus. Note que somos eternos. O juízo será a consumação da salvação dos justos e a consumação da condenação dos incrédulos. Os justos serão absolvidos pela obra de Jesus na cruz, e herdarão o céu e também a nova criação (2 Pe 3:13); enquanto os ímpios serão condenados e destinados ao inferno.
Inferno
O inferno é uma realidade eterna, na qual os seus moradores serão privados totalmente do favor divino. A graça de Deus será de uma vez por todas retirada sobre estes e entregues estarão a si mesmos (completamente livres de Deus), ao diabo e seus anjos caídos. Este será um lugar de sofrimento e perturbação, com dores no corpo e na alma, sujeitos a dores de consciência, a angustia, ao desespero, ao choro e ao ranger de dentes (Mt 18:8, 23:33, 25:46). No inferno não haverá qualquer forma de prazer!
Céu
Jesus declara que os salvos irão desfrutar de uma nova realidade eterna, o homem finalmente alcançará o propósito de sua existência. O céu não é um lugar monótono. É um lugar no qual o mal e o sofrimento não têm penetração. Um lugar de vida abundante, onde há prazer pleno, no qual seremos saciados e não mais escravos desta busca. Lugar onde reina a justiça e o bem (Ap 21:1-5). Lá contemplaremos o Senhor e o conheceremos como Ele é.
Conclusão
“No fim das coisas só existem dois tipos de pessoas: as que dizem a Deus: “Seja feita a tua vontade”, e aquelas a quem Deus diz: “A sua vontade seja feita”. Todos os que estão no inferno escolheram estar” (C. S. Lewis)

O nosso novo jeito de morar

MarADentro - edição 03 - abr - 2010
por Liz

Queridos amigos, faz agora quatro meses que estamos em Viçosa. Parece que tudo mudou. Esses dias estava lembrando de uma das minhas aulas de arquitetura, houve a discussão sobre “o que é morar?”. Alguns professores insistiam que abandonássemos o uso da palavra “casa” e a substituíssemos pela palavra “moradia”, o lugar de morar. Os mesmos diziam que era preciso compreender esse espaço como um lugar potencialmente vivo e cheio de atividades: comer, dormir, encontrar pessoas etc.; precisávamos pensar nessas atividades na hora de projetar. No lugar de inserirmos aqueles ambientes nominais conhecidos como “sala”, “cozinha”, “banheiro”, “quarto” e etc., deveríamos atentarmos às coisas que eram feitas na moradia e projetarmos “lugar de dormir”, “lugar de comer”, “lugar de tomar banho”, “lugar receber amigos” etc. Isso me ajudou apreciar com mais atenção o meu dia, a observar o que eu faço nos momentos em que estou em minha moradia, o que eu faço ali, quanto tempo eu fico em cada ambiente.
Essa observança se tornou hábito.
Percebi que quando morávamos em São Paulo, o lugar que eu mais gostava no nosso sobradinho era onde eu passava menos tempo, o nosso quintal. Apesar de gostar muito dele, os horários da minha rotina não me permitiam usufruir tanto da presença dele, muitas vezes reguei as plantinhas quando já era noite e não podia vê-las bem. A gente gostava muito dali, lembro da claridade que enchia os ambientes espaçosos durante o dia, mas que dia ficávamos ali pra curtir toda aquela luz? Lembro das vezes que se encheu de gente amiga. Esses foram os melhores momentos, pena que não eram tantos.

Aqui, estamos aprendendo um novo jeito de morar. O lugar de trabalhar é dentro da moradia. O lugar de almoçar também! Ah, e receber os amigos não são dias tão minoritários. A claridade do dia é usufruída, as plantinhas são vistas várias vezes. Não é um espaço tão grande como era, não temos tanta liberdade de fazer barulho e convidar tanta gente, não podemos hospedar mais do que uma pessoa. Mas as atividades são mais intensas e constantes. Parece que a nossa nova moradia tem mais vida, porque a gente fica mais tempo nela. Parece que a vida se tornou mais simples ocupando um espaço menor. No dia 26 de abril completamos exatos dois anos de casados, a festa foi grande entre nós dois na nossa mordia pequena que hoje nos acolhe tão bem.