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sábado, 31 de julho de 2010

Fresquinhas julho - nº06

 
fresquinhas...
  • A peça de teatro da Liz estreiou com muitos aplausos no dia 11 de julho em Belo Horizonte no CN (Congresso Nacional da ABUB)
  • Pedro Paulo realizou dois cursos:psicologia pastoral no CEM (Centro Evangélico de Missões e Integridade e Puzeza com o Pr. Paul Sinclair na CPV (Comunidade Presbiteriana de Viçosa)
  • Juntos participamos da nossa primeira conferencia do L’Abri Brasil, em Macacos. O tema foi "Cristo e Cultura Contemporânea". Um banho de reflexão e hospitalidade

A oração transformadora

MarADentro - edição 06 - jul - 2010
por Pedro Paulo

“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.
E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.
Não vos assemelheis, pois, a eles; porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes que lho peçais". (Mateus 6:5-8)
A oração do ‘Pai Nosso’ ensinada por Jesus não é utilitária, mas transformadora. Poderosa para modificar mentes e sofismas. Jesus ensina que a maior necessidade do homem não é mudar circunstâncias, mas mudar o coração. Jesus ensina que é preciso olhar para o Pai, submeter-se e confiar no Pai.

Muito me chama a atenção o ensino de Jesus sobre oração que antecede o modelo proposto do ‘Pai Nosso’. Duas advertências são apresentadas à multidão que o cercava ao longo do Sermão do Monte, são elas: não sejam como os hipócritas e não ajam como os pagãos (ou gentios).

A referência de hipocrisia que Jesus se utiliza é aquela praticada pelos fariseus, que se preocupavam tanto com o exercício de uma religiosidade externa, de aparência, e se esqueciam do essencial. Esse caminho levava os líderes religiosos a um distanciamento cada vez maior de Deus, embora fossem considerados piedosos nas suas respectivas comunidades.

Jesus chama seus discípulos para o exercício de uma espiritualidade genuína, que brota de um coração arrependido e de uma real intencionalidade em se aproximar de Deus. A verdadeira oração exige arrependimento. “Que cada um, portanto, que ao prepara-se para orar sentindo-se insatisfeito com o que está errado em sua conduta, admitindo que não pode fazê-la sem arrependimento, revista-se do perfil e sentimento de um pedinte.” Citação do reformador João Calvino.

A revelação de Deus à humanidade passa pela cultura judaica. Por mais de 2000 anos Israel foi a única nação monoteísta na face da Terra, em oposição ao politeísmo práticado pelas demais nações. A religião pagã estava centrada no conceito da existência de vários deuses que lutavam entre si pela hegemonia, corrompidos como os homens e inflamados por todo tipo de vício presente na humanidade, esses deuses eram responsáveis pelos favores e pelos males que sobreviam ao homem. Para alcançar o favor de um deus pagão era necessário convencê-lo deste bem, isso envolviam relações de trocas e boa capacidade de persuasão.

Ao ensinar seus seguidores a não seguir o caminho dos gentios, Jesus se opõe fortemente a essa imagem distorcida de Deus que muitos haviam adquirido pelo convívio com outros povos. Jesus está desfazendo essa concepção de um deus egoísta que muitos tinham equivocadamente, e apontado para a realidade de um Deus relacional e amoroso. A expectativa de Jesus é que seus discípulos possam substituir esta relação utilitária por outra pessoal, através da reconciliação com Deus oferecida pela vida de Jesus Cristo.

A verdadeira oração é transformadora, não apenas de realidade, mas principalmente de vida. Pela disciplina da oração somos levados ao autoconhecimento, ao discernimento de nossos desejos e caprichos, e ao contentamento pelo simples prazer de estar com Deus.

Neblina

MarADentro - edição 06 - jul - 2010
por Liz


Quanto mais eu reflito sobre essa coisa de vida contemporânea, mais eu visualizo uma densa neblina. Caminhar na neblina é assim: incerto, sem referenciais, sem destino, sem nada. Quando a voz da modernidade diz que não há Deus, não há verdade, não há moral e não há sentido assemelha-se a tal caminhada cega pela neblina densa de uma manhã na serra. Claro que não poderíamos esperar se não uma experiência de “vazio”. Vazio que leva ao caos. Não era de se estranhar que pela primeira vez na história “caos” virou sinônimo de “liberdade”. Explico. Na vida moderna, liberdade é viver plenamente essa neblina. Respirá-la, amá-la esconder-se nela. Sentir-se seguro ali, fazer o que der na telha. 
A densa neblina que para alguns é como um deserto, tornou-se para outros um abrigo. Pois ela acolhe os amores indevidos, a ação não julgada, a libertinagem, as palavras vãs e tudo o mais que quiser. Haja o que houver, a neblina abriga a todos.
Bom, dentro dessa devassidão nebulosa, há somente um consolo aos que lutam contra ela, que é também uma alerta aos que nela se abrigaram, ouça quem puder: o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.
Temer a Deus é saber que seus olhos estão sobre nós. O Senhor nos vê. A neblina pode te proteger dos outros, e até de si mesmo, mas o Senhor tudo vê. A neblina pode te esvaziar e te deixar solitário, te sugar as forças, mas aquilo que vem do Senhor não poderá ser apagado.
Há aqui um alerta e um consolo. Embora caminhamos rodeados por negativas quanto à moral e aos referenciais, tais vozes serão um dia silenciadas e o que valerá? Valerá os olhos do Senhor, o que ele viu e o que ele soube a respeito de nós.
Subindo naquele palco, no dia 11 de julho, senti-me como que dizendo “quem tem ouvidos ouça, eis ao redor uma forte neblina”. Dentro do carro, a caminho de Macacos, conversando com amigos queridos, senti-me assim, como que compartilhando “é amigos, a neblina tá densa, vamos caminhar mais perto um do outro, porque quase não te vejo”.  E assim vamos, alertando, consolando, recebendo consolo, deixando os ouvidos atentos.
Em tempo de neblina muito mais vale os nossos ouvidos e a nossa voz.

*ver no post "06" as notícias fresquinhas para entender o contexto desse parágrafo


quinta-feira, 1 de julho de 2010

Fresquinhas junho - nº05

Fresquinhas dezembro - nº11
 
05 fresquinhas...
  • a peça de teatro da Liz está prestes à sair, chama-se "IN VERSÃO" e terá sua estréia em BH no SESC Venda Nova dia 11/Jul no congresso nacional da ABU (CN)
  • Pedro Paulo foi eleito tesoureiro da REBUSCA (ong cristã que trabalha com crianças e adolescentes em situação de risco em Viçosa) está empolgado com a oportunidade de ajudar de uma maneira mais efetiva.
  • Liz começou a trabalhar mais efetivamente com projetos de arquitetura, sendo os primeiros projetos de reforma residencial. Os trabalhos de diagramação e deisign continuam, vejam as novidades visuais na revista Ultimato

Cosciência moral

MarADentro - edição 05 0 jun - 2010
por Pedro Paulo

Na cultura de hoje há um pensamento moderno que prevalece em nossos diálogos, de que não existe mais certo ou errado, pensamento este que chamamos de relativismo moral. Para tudo há uma explicação, uma razão de ser, e por isso não podemos dizer que existe um ponto de referência, algo que seja correto em todos os tempos e em qualquer cultura. Será que isso é verdade?
Por outro lado há uma premissa básica defendida pelos cristãos de que todo indivíduo simplesmente sabe o que é certo ou errado, devido uma lei moral que sempre existiu em todas as culturas.
De acordo com o dicionário Aurélio, consciência refere-se à capacidade de estabelecer julgamentos morais dos atos realizados, ou seja, é a capacidade de julgar se é certo ou errado algum ato realizado pelo ser humano.

O que a Bíblia diz
Após o homem ser expulso do Paraíso, no capítulo 4 do livro de Gênesis é narrado o primeiro homicídio da humanidade. Caim mata seu irmão Abel por invejá-lo. O interessante é que Deus adverte Caim antes de cometer este ato e diz que 'o pecado jaz à porta, mas a ti cumpre dominá-lo', ou seja, você tem desejos, mas nem todos eles devem ser satisfeitos, você deve fazer o bem e rejeitar o mal. Com isso Deus está afirmando que Caim tem plenas condições de discernir o bem e o mal antes de praticá-los, de avaliar suas vontades.
Paulo explica, em Romanos 2:14-29, que a revelação geral de Deus sobre Si mesmo como Deus bom que exige o bem, confronta os homens com a responsabilidade moral. Na verdade, entender ou 'ouvir' a consciência é algo que precisa ser 'aprendido' ou 'treinado'. Para os judeus, Deus os deu a lei tornando explicitas as expectativas morais. Paulo fala que para os gentios eles fazem 'por natureza' aquilo que é requerido pela lei. O que será que Paulo quer dizer com a expressão 'fazem por natureza'?
Paulo está dizendo que existe uma consciência em toda humanidade, independente da cultura, que permite ao homem julgar seus atos e da sociedade, discernindo o que é bom e o que não é. A isso damos o nome de Lei Moral.
Interessante que está lei não determina o que o homem irá fazer, mas o orienta para saber o que é correto fazer em determinada situação, ou seja, a capacidade do homem desobedecer a essa lei é justamente o que nos diferencia dos animais. Somos capazes de avaliar nossos instintos e agir de acordo com a consciência que há em nós, isso nos torna único na criação e próximos de Deus, semelhantes.
Podemos concluir duas coisas sobre a Lei Moral:
  1.  Todos têm essa noção, a consciência, e por mais que tentem negar não conseguem se livrar dessa noção.
  2.  Na prática nem sempre eu consigo cumprir a Lei Moral, e quando alguém me adverte que a descumpri logo me vem à cabeça milhares de desculpas.
Através da Lei Moral podemos descobrir a culpa, que somos transgressores. Mas também podemos descobrir a Verdade.
No livro de 1 Timóteo 4:2, Paulo usa uma expressão para descrever o homem que se opõe deliberadamente a Lei Moral como aquele que cauterizou a sua consciência, que age de modo a destruí-la. Essa é a imagem de alguém que vive constantemente em conflito consigo mesmo, que procura negar a Verdade ainda que lhe seja o resto de sobriedade que lhe sobre.
“Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos entretanto, da fé, para a conservação da alma.” (Hebreus 10:39)
Coerência com a verdade
A Lei Moral não significa necessariamente o que os homens fazem, mas o que os homens deveriam fazer ou não. Você pode estar se perguntando, de onde vem essa Lei Moral?
Essa consciência não foi criada por um código moral da sociedade, pelo contrário, os comportamentos de uma cultura provêm da Lei Moral, ainda que falhos e limitados. Ela não foi criada pelo homem, e essa noção indica haver um Guia que diz que existe um jeito certo de viver.
Logo, quando Paulo fala de uma 'lei gravada nos corações', ele está dizendo que essa consciência é uma evidência de que Deus dirige o universo e se manifesta em mim com uma lei que me incita praticar o certo e me faz sentir incomodado e responsável pelos meus erros.
Ora, a Lei Moral é boa e serve como guia para a humanidade fazer a vontade do Criador. Porém ela é insuficiente para que eu não seja um transgressor do bem e promova o mal, ela orienta e mostra o mal que deliberadamente eu faço.
Paulo vai descrever mais para frente na sua carta aos romanos esta tensão que ele vive, pois ele reconhece o Criador e sabe o que é o bem, porém muitas vezes ele se encontra fazendo conscientemente o mal. Essa afronta a consciência é resultado do nosso estado pecaminoso, e a percepção deste terrível estado nos leva ao lamento, ao arrependimento.
A boa notícia é que não estamos sozinhos, lançados à nossa própria sorte. Em Jesus Cristo gozamos redenção, um caminho de volta à comunhão com o Pai.
“(por meio de Jesus Cristo) temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a riqueza da sua graça, que Deus derramou abundantemente sobre nós” (Efésios 1:7-8)

Grata amizade

MarADentro - edição 05 - jun - 2010
por Liz

Quero falar sobre amizade. Penso que há um valor inestimável nela. As amizades marcam a gente, entram nos cantos da nossa vida e nos ajudam a ver o que é que está ali bem no fundo. Sei que Deus fez a amizade. Sei que ela existe desde a criação, quando, caminhando pelo jardim o criador conversava com Adão e Eva e os entendia, amava. C.S. Lewis, em seu livro Os Quatro Amores, me marcou muito quando afirmou que a amizade é a forma mais gratuita de se amar. Não há na amizade “interesse” de nenhum tipo e nem aliança formal (como em um casamento, ou nas relações familiares onde há um vínculo pré-existente). É um pacto espontâneo sem regras e sem um fim determinado. Ela existe pelo simples prazer de existir, e o amigo ama, pela grata alegria de amar.

No pouco tempo que eu tenho consciência desse valor, já pude provar da satisfação de ser amiga e de ter amigos com muita intensidade. Também já pude chorar a amargura que é perder um amigo para a morte, e a nostalgia de perder um amigo para as circunstancias da vida. Percebi que quanto mais me alegro com uma amizade, mais sofro com ela. Paradoxal. Mas novamente citando o sábio Lewis “no mundo em que vivemos, amar é sofrer”, o sofrimento é, de alguma forma, uma constatação da existência do amor. Se sofremos pelo outro, é porque não somos indiferentes a ele.

No fim das contas a alegria sempre é compensatória, tanto é que nunca deixei de construir uma amizade com medo da dor ela pudesse me causar. E nunca sofri em uma amizade sem me sentir privilegiada de estar naquele sofrimento. É privilégio de poucos sentir seu sofrimento compartilhado. É sinal de que a amizade é profunda e real, como de fato, deveria ser.