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quinta-feira, 1 de abril de 2010

O nosso novo jeito de morar

MarADentro - edição 03 - abr - 2010
por Liz

Queridos amigos, faz agora quatro meses que estamos em Viçosa. Parece que tudo mudou. Esses dias estava lembrando de uma das minhas aulas de arquitetura, houve a discussão sobre “o que é morar?”. Alguns professores insistiam que abandonássemos o uso da palavra “casa” e a substituíssemos pela palavra “moradia”, o lugar de morar. Os mesmos diziam que era preciso compreender esse espaço como um lugar potencialmente vivo e cheio de atividades: comer, dormir, encontrar pessoas etc.; precisávamos pensar nessas atividades na hora de projetar. No lugar de inserirmos aqueles ambientes nominais conhecidos como “sala”, “cozinha”, “banheiro”, “quarto” e etc., deveríamos atentarmos às coisas que eram feitas na moradia e projetarmos “lugar de dormir”, “lugar de comer”, “lugar de tomar banho”, “lugar receber amigos” etc. Isso me ajudou apreciar com mais atenção o meu dia, a observar o que eu faço nos momentos em que estou em minha moradia, o que eu faço ali, quanto tempo eu fico em cada ambiente.
Essa observança se tornou hábito.
Percebi que quando morávamos em São Paulo, o lugar que eu mais gostava no nosso sobradinho era onde eu passava menos tempo, o nosso quintal. Apesar de gostar muito dele, os horários da minha rotina não me permitiam usufruir tanto da presença dele, muitas vezes reguei as plantinhas quando já era noite e não podia vê-las bem. A gente gostava muito dali, lembro da claridade que enchia os ambientes espaçosos durante o dia, mas que dia ficávamos ali pra curtir toda aquela luz? Lembro das vezes que se encheu de gente amiga. Esses foram os melhores momentos, pena que não eram tantos.

Aqui, estamos aprendendo um novo jeito de morar. O lugar de trabalhar é dentro da moradia. O lugar de almoçar também! Ah, e receber os amigos não são dias tão minoritários. A claridade do dia é usufruída, as plantinhas são vistas várias vezes. Não é um espaço tão grande como era, não temos tanta liberdade de fazer barulho e convidar tanta gente, não podemos hospedar mais do que uma pessoa. Mas as atividades são mais intensas e constantes. Parece que a nossa nova moradia tem mais vida, porque a gente fica mais tempo nela. Parece que a vida se tornou mais simples ocupando um espaço menor. No dia 26 de abril completamos exatos dois anos de casados, a festa foi grande entre nós dois na nossa mordia pequena que hoje nos acolhe tão bem.

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