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sábado, 31 de julho de 2010

Neblina

MarADentro - edição 06 - jul - 2010
por Liz


Quanto mais eu reflito sobre essa coisa de vida contemporânea, mais eu visualizo uma densa neblina. Caminhar na neblina é assim: incerto, sem referenciais, sem destino, sem nada. Quando a voz da modernidade diz que não há Deus, não há verdade, não há moral e não há sentido assemelha-se a tal caminhada cega pela neblina densa de uma manhã na serra. Claro que não poderíamos esperar se não uma experiência de “vazio”. Vazio que leva ao caos. Não era de se estranhar que pela primeira vez na história “caos” virou sinônimo de “liberdade”. Explico. Na vida moderna, liberdade é viver plenamente essa neblina. Respirá-la, amá-la esconder-se nela. Sentir-se seguro ali, fazer o que der na telha. 
A densa neblina que para alguns é como um deserto, tornou-se para outros um abrigo. Pois ela acolhe os amores indevidos, a ação não julgada, a libertinagem, as palavras vãs e tudo o mais que quiser. Haja o que houver, a neblina abriga a todos.
Bom, dentro dessa devassidão nebulosa, há somente um consolo aos que lutam contra ela, que é também uma alerta aos que nela se abrigaram, ouça quem puder: o temor do Senhor é o princípio da sabedoria.
Temer a Deus é saber que seus olhos estão sobre nós. O Senhor nos vê. A neblina pode te proteger dos outros, e até de si mesmo, mas o Senhor tudo vê. A neblina pode te esvaziar e te deixar solitário, te sugar as forças, mas aquilo que vem do Senhor não poderá ser apagado.
Há aqui um alerta e um consolo. Embora caminhamos rodeados por negativas quanto à moral e aos referenciais, tais vozes serão um dia silenciadas e o que valerá? Valerá os olhos do Senhor, o que ele viu e o que ele soube a respeito de nós.
Subindo naquele palco, no dia 11 de julho, senti-me como que dizendo “quem tem ouvidos ouça, eis ao redor uma forte neblina”. Dentro do carro, a caminho de Macacos, conversando com amigos queridos, senti-me assim, como que compartilhando “é amigos, a neblina tá densa, vamos caminhar mais perto um do outro, porque quase não te vejo”.  E assim vamos, alertando, consolando, recebendo consolo, deixando os ouvidos atentos.
Em tempo de neblina muito mais vale os nossos ouvidos e a nossa voz.

*ver no post "06" as notícias fresquinhas para entender o contexto desse parágrafo


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