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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

De dentro pra fora

MarADentro - edição 09 - out - 2010
por Pedro Paulo
Foto oficial do acampamento de adolescentes em Viçosa-MG
Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus.                                                 
Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.
Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.
Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia.
Bem-aventurados os limpos de coração, porque verão a Deus.
Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.
Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós.
Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.” 

Evangelho de Mateus 5:3-12

Jesus estava pregando as boas novas do reino de Deus, e grande multidão o seguia admirada com o seu ensino. Vendo a aglomeração a sua volta, Jesus subiu ao monte e rodeado pelos seus discípulos, passou a ensinar as muitas pessoas que o seguiam, ensino este conhecido como o famoso Sermão do Monte.

Santo Agostinho compara essa cena com o recebimento dos dez mandamentos por meio de Moisés, mostrando a superioridade dos preceitos da nova justiça em comparação com a antiga lei judaica. “Por meio de santos profetas e fiéis servidores deu preceitos menos perfeitos ao povo que convinha ainda sujeitar pelo temor. E por meio de seu Filho deu outros preceitos muito mais perfeitos ao povo que Ele queria libertar pela caridade.”
O ensino de Jesus trata sobre a vida neste reino que ele anuncia estar próximo, no qual a justiça reina e o amor é o seu regime. A entrada neste reino é pelo próprio Cristo, pois ele é o caminho, a verdade e a vida. A eternidade está no coração de cada cidadão deste reino, junto com os mandamentos do Senhor que agora não estão mais encravados em pedras, mas no seu interior.
Neste reino os cidadãos desfrutam de livre acesso ao Senhor, por meio de Cristo, e esta proximidade explica o caráter dos súditos. São humildes de espírito, pois reconhecem a falência espiritual que chegaram quando confiavam nas suas próprias forças. Quando se deparam com a miséria e a fraqueza que se encontram não hesita em chorar, pois conhecem a validade do choro do arrependimento, nunca deixarão de ser consolados. As virtudes são buscadas com todo o esforço, elas são preciosas neste reino, e se tratando em pureza, todos foram lavados pela palavra da verdade e não medem esforços em prosseguir olhando para o Cristo.

Por falar em virtude, os cidadãos estão realmente engajados com seus valores, o domínio próprio faz deles pessoas livres de toda forma de maldade, o comprometimento com a justiça é pra eles como uma refeição diária, essencial para a vida. A compaixão com o desfavorecido é notória e eles não medem esforço para socorrer o próximo, a solidariedade está presente ainda que seja custoso para eles. E não poderíamos deixar de notar o espírito pacificador existente nesta comunidade do Rei, todos estão empenhados com o sucesso da paz, pois foi isso que o Cristo trouxe para o reino, ele desfez toda a inimizade que havia.
Jesus não poderia omitir que eventualmente esse povo sofreria certa hostilidade, e em alguns períodos o sofrimento chega ser intenso. Mas o que impressiona é a alegria que os move, ainda que tempos difíceis estejam à vista. O fato é que esse reino inspira outros povos e influencia tempos e eras. Cada cidadão sente-se responsável por promover o amor que experimentado neste reino também àqueles que estão distantes e ainda não participam desta realidade.

A multidão curiosa interpelou Jesus – como isto é possível? A dinâmica do reino nasce no coração de cada cidadão e por isso a harmonia se encontra por todo lado. Os cidadãos não foram conquistados ou convencidos a se ajuntar a este reino, eles nasceram do próprio reino

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